Publicado por: BVox | agosto 17, 2012

Porque NÃO imigrar para o Quebec – Parte 2

Continuando o post anterior…

2) O Separatismo

Que fique claro: o separatismo não é algo tão importante ou consensual quanto a defesa do francês por aqui. Enquanto acho que é seguro dizer que a grande maioria (os francófonos são 92% da população) tem o francês como algo sagrado (e uma boa parte leva isso a níveis paranoicos como no post anterior), mas nem todos apoiam o separatismo (40% da última vez que ouvi). Também ouço falar que cada dia que passa menos gente dá importância ao separatismo e nunca ouvi ninguém dizer o contrário.

De qualquer forma, não acho que a possibilidade do Quebec se separar do Canadá esteja diminuindo, porque:

a)Os separatistas vão mais as urnas. Eles são geralmente mais velhos e também mais engajados. Quem está confortável com o Quebec como parte do Canadá não dá nem bola para política. Portanto, de novo os votos não necessariamente refletem as pesquisas de opinião sobre separatismo. O problema é que também ouvi dizer que por alguma razão obscura, 40% é o que é necessário para se formar um governo majóritário no Quebéc (ou seja, passar a lei que quiser no parlamento da província). Se bem que num plebiscito a participação é diferente.

b) Cada vez que um governo separatista sobe ao poder, ele implementa alguma medida que aumenta a independência do Quebéc. Por exemplo, o Quebéc tem sua própria constituição e sistema de licença maternidade. O Parti Quebecois já falou que vai “repatriar” o sistema de saúde e acho que ouvi algo sobre seguro desemprego também. Como nenhum governo federalista tem cacife suficiente para desfazer o que foi feito, acho que em algum ponto, o efeito acumulado destas duplicações vai não só tornar mais fácil a separação como pode até fazer ela se tornar a alternativa mais eficiente do ponto de vista econômico. Quero dizer, o custo de manter estruturas duplicadas nos níveis federais e provincial é alto. Como não vejo clima para desfazer a estrutura no nível provincial, do ponto de vista de eficiência, talvez a situação atinja um ponto em que separar seja mais a alternativa mais eficiente dentre as disponíveis.

c) O último plebiscito de separação do Quebec deu na trave. O “não” ganhou por pouco mais de 1% e do jeito que os eleitores daqui mudam de idéia rapidamente (o PQ passou de um partido forte para um quase morto depois das eleições federais de 2011, só para virar o favorito nas eleições de 2012), não dá para prever o que pode acontecer se um plebiscito for chamado. Se o PQ for eleito acho que vão chamar um plebiscito cedo ou tarde já que como disse em outro post, há uma espécie de consenso de a rejeição ao governo conservador no nível federal está aumentando o suporte ao separatismo.

Não acho que nenhum imigrante (talvez com exceção dos francófonos) achem o plebiscito uma boa ideia. Acho que a grande maioria vai fugir para o Canadá como nós faríamos. Mesmo os índios daqui são contra (96% no plebiscito de 95) e queriam ficar como parte do Canadá e levar grande parte do território com eles. De novo, imigramos para o Canadá, não para um país chamado Quebec. Viemos aqui para dar estabilidade para nossos filhos, não instabilidade.

Só para dar algumas razões, até onde sei, a economia do Quebec está longe de ser classificada como dinâmica. As províncias que estão se dando bem no momento são as que produzem petróleo, como Alberta. Mesmo Ontário, atingida de cheio pela crise de 2008 na indústria automobilística está melhor que aqui, embora o desemprego seja um pouco mais alto que em Quebec. Para mim o que mais pega é que Quebec tem uma grande dívida e não tem se mostrado capaz de a manter sobre controle. Os separatistas também não parecem se incomodar com economia. Como meu professor de francês disse, ele preferia ser dono do próprio nariz e pobre do que ser “dependente” e rico. Ou seja, sem uma indústria forte, alta dívida, um discurso não comprometido com austeridade e tendo que fazer altos investimentos para formar um país, Quebec vai passar por uma bela crise. Hoje Quebec rola a dívida com juros baixos já que desfruta do ranking AAA do Canadá. Se sair, os juros sobem e as parcelas que já não conseguem pagar vão aumentar… Quem vai emprestar para um país que ninguém conhece?

A “sorte” é que a província tem muitos recursos (pelo menos se o território do novo país for o mesmo da província, o que não sei se vai ser verdade) e o que vai acontecer é que podem torrar minérios, energia hidroelétrica, madeira e até um pouco de petróleo para financiar os  sonhos de um novo país.

A história do separatismo torna nosso futuro aqui incerto. Como comprar uma casa, por exemplo se em dois anos o PQ pode ganhar as eleições e um plebiscito separar Quebec? A debandada de gente e de empresas vai pulverizar preços de imóveis. Na verdade, só o plebiscito vai causar quedas nos preços. Isso já ocorreu em menor grau nos dois plebiscitos no passado.

O que acho que o que é pior é que processos de separação realçam o lado ruim das pessoas. O foco é nas coisas negativas. Vota-se na separação porque somos diferentes, porque fomos explorados no passado, porque podemos fazer melhor. É nós contra eles. Vota-se em não separar por medo do que pode acontecer. O clima durante o plebiscito deve ser horrível, com vizinhos e colegas se colocando em campos opostos. Escuto histórias de que nos colégios, as crianças identificavam nos armários se os pais iam votar no Sim ou no Não. Dá para imaginar isso? Como imigrantes são em sua maioria contra a separação, tenho certeza que seremos automaticamente estigmatizados pelos separatistas.

Se a separação ganhar então, tanto o Quebec quanto o Canadá vão passar por uma crise. Embora ache que no Quebec será pior, mesmo o Canadá vai sentir. Nenhum país perde um terço da população e tem seu território dividido em duas porções não contíguas (Quebec separaria as províncias do atlântico de Ontário e das províncias do oeste, se o território do novo país for refletir o da provincia atual) e sai ileso. Daí um lado vai botar culpa no outro, a começar pelos políticos, que adoram um inimigo fácil como esse para permear a agenda e a discussão política.

Depois vem as discussões sobre o espólio, quem fica com o que. O governo federal tem ativos (pontes, edifícios, etc) em Quebec. Vai querer dinheiro por isso. Vai provavelmente querer pegar partes do território de Quebec. Mesmo Montreal pode ser um ponto de discussão, já que é o coração da economia e votou em grande parte para ficar no Canadá. Também tem uma composição cultural diferente. O governo federal pode exigir um plebiscito só para Montreal. Acho que seria como separação de casal rico. A coisa seria feia. No final do processo Quebec e Canadá sairão bem machucados para cada lado e os ressentimentos vão levar gerações para cicatrizar.

O que é mais louco é que em pesquisas de opinião, o que mais preocupa os povo de Quebec é o mesmo que o resto do Canadá: economia e sistema de saúde. Aqui também a questão da corrupção é importante e é a única que se vê sendo discutida na campanha eleitoral. Em pesquisas, defender o francês ou separatismo não são prioridades, mas como então dominam a pauta das eleições?

Para mim são distrações. São problemas fictícios criados pelos políticos porque são fáceis de resolver. Melhorar a economia é difícil mas fechar CEGEP’s em inglês ou chamar um novo plebiscito é fácil…

Publicado por: BVox | agosto 17, 2012

Porque NÃO imigrar para o Quebec – Parte 1

O objetivo deste post é esclarecer dois problemas que vejo em viver no Quebec como imigrante e que demoraram para ficarem claras para mim. Para falar a verdade, eu acho que só estou me dando conta da importância destas questões depois de acompanhar por um tempo o movimento estudantil e campanha eleitoral deste ano, portanto imagino não estão claras para quem está vindo também e mesmo para muita gente que não tem saco de acompanhar política. Para quem está vindo, eu recomendo fortemente ler os jornais locais de Quebec (Gazzette em inglês, La Presse e Le Devoir em francês). Se tiver tempo, não se restrinja aos artigos propriamente ditos. Os comentários dos leitores geralmente tem informações interessantes também. Observar o momento que o Quebec está passando tem sido uma escola para mim.

Para nós as questões que descobri são tão importantes que acho que já dá para dizer que elas vão nos fazer mudar do Quebec para outra província em algum ponto do futuro. Ainda não sei para que outra província vamos, nem quando mas acho que está claro que nossa situação aqui é insustentável a longo prazo.

Antes do já usual dilúvio de informações, um parêntesis. Talvez eu devesse substituir “sociedade quebecoise” por “eleitores quebecois” no texto que segue . Digo isso porque talvez a sociedade como um todo tenha uma posição diferente da que descrevo abaixo, mas quem vai às urnas tem e são elas que acabam moldando o futuro. Na última eleição, 60% dos eleitores foram às urnas, e a tendência é diminuir. Esses 60% não são são uma amostra balanceada da população, já que os idosos, por exemplo, votam mais do que os jovens (75% contra 30%). Mas na prática acho que dá na mesma. Quem cala consente. Ou como diz o ditado francófono: “Les absents ont toujours tort”.

1) Primeiro ponto: O francês como valor básico da sociedade

Cada dia que passa a sociedade quebecoise me parece cada vez mais como um paranóico, vendo potenciais ameaças a sua cultura ou novas formas de colonização cultural por a parte e a resposta geralmente é novas formas de proteger o francês a qualquer custo. Há outras respostas também como a proposta de proibir o véu sobre a cabeça (não sobre o rosto, esse já é proibido) para funcionárias públicas muçulmanas (embora permitindo o crucifixo e provavelmente o quipá judeu). Mas acho que o francês é o mais comum e forte, já que, a diferença cultural mais clara entre um quebecois e outros norte americanos é a língua. Também é o mais difícil de imigrantes (a não ser que sejam também francófonos) e a minoria anglófona compartilharem.

Talvez eles estejam até certos em serem paranóicos. Vivem num país onde a maioria é anglófona e fazem fronteira com os EUA, que tem uma indústria cultural gigantesca. O histórico de exploração pelos anglófonos também ajuda a jogar lenha na fogueira. A inglaterra ganhou a guerra contra a França e a minoria anglófona manteve a maioria francófona submissa através do uso da igreja e baixa educação. Só nos anos 60 (a revolução tranquila) é que as coisas mudaram. Por outro lado, só o fato da dita revolução ter sido tranquila deveria diminuir o nível de paranóia daqui. Afinal de contas, Quebec fez sua revolução democraticamente e, até onde sei, com pouca ou nenhuma resistência do governo federal, a não ser quanto a questão do separatismo. Agora os anglófonos são uma minoria isolada, com poder político pequeno e cada vez menor. Dá dó ver o que se faz com anglófonos por aqui. Acho que no resto do Canadá os francófonos são ignorados, mas não sei se são demonizados como aqui.

Bom, seja qual for a razão, o fato é que isso significa que ter o francês como língua principal é um valor básico da sociedade. Ou seja, para você ser parte da sociedade quebecoise,você tem que aceitar que o francês está no mesmo nível que valores básicos da sociedade. Portanto embora se diga que o bilinguismo é desejável, o importante mesmo é proteger o francês mesmo que isso signifique demonizar minoria anglófona e retirar direitos dos imigrantes.

Para ajudar a entender o que quero dizer por  paranóia, aqui tem um órgão policialesco de ficalização do uso do francês (leia-se contra o uso do inglês) que deve forçar a mudança de todos os logos e nomes de lojas para o françês. Portanto, empresas como Home Depot e Canadian Tire vão ter que fazer despesas redundantes em branding (Dépôt de la Maison? Pneu Canadien?). Aparentemente McDonald’s e Tim Hortons estariam a salvo já que são nomes próprios. Outro exemplo: dos 3 partidos mais bem votados para a próxima eleição agora em setembro, só um não tem planos de diminuir o investimento na rede anglófona (o Liberal). O Parti Quebecois (separatista, com um pouco mais de votos que o Liberal até agora) quer restringir os CEGEP’s (nível escolar equivalente ao colegial e primeiro ano da faculdade ou um diploma de tecnólogo no Brasil)  anglófonos só para os anglófonos. Ou seja, francófonos e imigrantes, que já tinham perdido o direito de escolher a língua do nível primário e secundário nos anos 70, perdem mais um direito. O Avenir Quebec (partido federalista, mas que se identifica com a defesa do francês) quer acabar com as comissões escolares. Como hoje existem comissões francófonas e anglófonas, concentrar o poder no nível do ministério da educação deve enfraquecer as escolas anglófonas, do primário ao CEGEP. Em algum ponto (principalmente se o PQ ganhar), acho que o próximo passo é fechar ou retirar o suporte público às universidades anglófonas (já vi discussões sobre isso na Internet). Elas são as melhores de Montreal (e a McGill está entre as melhores do Canadá e até do mundo) mas aparentemente educação em inglês é visto como uma fonte de mão de obra para empregos que exigem somente o inglês.

Então, em vez de ser pragmático como países como a Holanda e ver o inglês como uma ferramenta (como todos os países do mundo, incluindo a China) e aproveitar o posicionamento único do Quebec, a tendência que vejo é uma sociedade cada vez mais fechada ao inglês.

Novamente, talvez eles até estejam certos em restringir cada vez mais o inglês, mas não quero que meus filhos cresçam com idéiais paranóicas na cabeça ou percam oportunidades de aprendizado. Nós imigramos para o Canadá, um país anglófono, para dar melhores oportunidades para meus filhos. Lamento mas o francês é uma língua morta do ponto de vista econômico e a verdade é que a França deixou um péssimo legado do ponto de vista econômico e social. Não consigo lembrar de uma de suas ex-colônias que tenha se dado bem. O oposto da Inglaterra… E mesmo que a China domine a economia daqui a um tempo, ou o espanhol cresça sua importância econômica (não sei exatamente como, mas ouço gente falando que o espanhol vai ser mais importante que o inglês) o inglês continuará a ser a língua dos negócios, do dinheiro por muito tempo. É simplesmente uma língua muito objetiva e relativamente fácil de aprender. É também a língua do conhecimento. Basta ver a concentração de prêmios Nobel em inglês, ranking de universidades, etc.

A ficha que cai é que para ser reconhecido como um Quebecois de verdade, não basta apenas falar francês. Você tem que aceitar o francês como um valor básico da sociedade, como respeitar leis, liberdade de expressão, direitos humanos, igualdade entre sexos, etc. Na verdade você tem que defender o francês ainda mais, já que ele está sob constante ataque, ou seja estamos em guerra. O problema é que como todo imigrante, o francês é só um instrumento para nós. Não temos a carga cultural do povo daqui e portanto não dá para nem tentar dar essa importância ao  francês. No fundo, esperam que você seja o que não é, e pelo menos em algum nível (talvez nunca declarado) fica identificado como inimigo. Agora que notamos os sinais (talvez sutis) nos sentimos isolados da sociedade e nos identificamos com a minoria anglófona daqui.

No resto do Canadá ninguém exige que você defenda o inglês como defenderia valores éticos comuns a todo o mundo democrático. É lógico que eles não precisam disso, mas no final das contas a razão pouco importa. O que importa é que se eu vivesse no Canadá anglófono meus filhos estariam estudando a língua franca do mundo atual. E também nos sentiríamos mais integrados à sociedade, já que não tenho problema algum em defender valores básicos citados acima.

Publicado por: BVox | julho 15, 2012

Camping

Li um artigo a um tempo atrás com a lista dos hobbies mais populares do Canadá.  Ou era do Quebéc? Bom, não me lembro mas acampar estava na lista. Se não me engano era o segundo, logo depois de jardinagem. Jardinagem deve ganhar mesmo porque você tem que refazer o jardim depois do inverno e manter o jardim civilizado durante o verão também dá trabalho. É uma explosão de vida, incluindo ervas daninhas, insetos, aranhas e grama que tem que ser aparada regularmente.

Bom, mas voltando ao Camping, sempre tive vontade de tentar aqui, mas como a única experiência que tive no Brasil foi traumática e achava que o Dandan ia ter crises de abstinência de vídeo games e internet, nunca dei muita atenção. Daí recebemos um convite de uma família de amigos e o Dandan se animou. Bom, experimentamos e adoramos.

Fomos para um parque mantido pelo governo de Quebéc a mais ou menos uma hora de Montreal, o Camping des Voltigeurs.  Na verdade é mais um site de camping do que um parque, portanto não tem muita natureza (não espere ver nada além de esquilos), mas achamos muito bom. A infra-estrutura era ótima (banheiro perto, ponto de eletricidade, mesa e cadeiras). Além de ser perto de Montreal, não tinha mosquitos provavelmente por ser próximo a um rio e não de um lago. Uma vantagem de pegar um parque do governo é a comodidade. Voce reserva e paga online (deu uns $42 a noite, com impostos), escolhendo o terreno onde vai ficar.

Ficamos só um dia já que o Camping era perto e a diária começava às 15h. Também não tínhamos certeza se íamos gostar ou não. Mesmo assim, ao enfiar as coisas no carro, entendi porque canadense adora usar reboques ou bagageiros nos carros. Mesmo tendo um carro relativamente grande (o equivalente a uma Zafira no Brasil) e com tranqueiras só para uma noite, o carro foi cheio. Um dia vamos querer levar bicicletas, por exemplo e aí vamos ter que dar uma olhada em um reboque.

O único estresse que passamos foi montar a tenda. Nunca tinha feito isso e nossos amigos aparentemente também não… Por sorte um casal de velhinhos veio nos ajudar. Com algumas dicas pegamos o jeito e montamos as duas barracas rapidinho. Comprei a nossa  no WalMart ($80 para 8 pessoas, mas na verdade só cabem 6).

Foi muito bom. O dia passou voando entre montar a barraca, fazer comida, conversar, brincar, fazer uma fogueira. Gostamos tanto que queremos repetir pelo menos mais 2 vezes esse ano. Provavelmente vamos de novo na semana que vem e estamos planejando ir de novo em meados de agosto para um parque mais longe, a 3 horas daqui. É que vamos no final de semana da chuva de meteoros das Perseidas e esse parque tem um observatório astronômico.

A barraca depois de montada

Fogueirinha básica (com direito a marshmallow)

Star trail (foto com tempo de exposição longo, que mostra o movimento das estrelas ao longo da noite) com Polaris na parte inferior quase no centro. É a estrela que é praticamente fixa, já que está próxima ao pólo norte astronômico.

Publicado por: BVox | julho 14, 2012

La Ronde

Montreal tem um parque temático, o segundo maior do Canadá, bem dentro da zona urbana. Dá para ir de carro, ônibus, metrô ou bicicleta e fica na Ile Sainte-Hélene, uma das ilhas no Rio Saint-Laurent colada à ilha de Montreal. É o La Ronde, que foi fundado durante a exposição mundial de 67. Para quem conhece o Hopi-Hari, acho que a quantidade de atrações dele é comparável. Tem menos brinquedos (40 contra 60 segundo a wikipedia), mas acho que os brinquedos são mais legais (10 montanhas russas contra 5).

Naturalmente, só fica aberto durante o verão e esse ano resolvemos comprar um passe para a estação inteira. Pagamos $200 para a família toda e podemos ir quantas vezes quisermos. De quebra, ganhamos brindes como bilhetes de graça para amigos em dois dias a escolher fora da época de pico (as férias escolares de verão daqui). Vale bem a pena já que as entradas estão hoje a $34 (crianças com menos de 1.37 metros) ou $42.

Para economizar estacionamento estamos indo de metrô já que as crianças não pagam transporte público durante o verão e a Patroa e eu temos os passes mensais de transporte público. Além do mais, as crianças curtem andar de metrô. Semana que vem devo ir de bicicleta com o Dandan. Para mim vai ser uma aventura: 12,5 km aqui de casa, a maior parte pela ponte chamada estacade e a pista que fica na divisória do canal navegável do rio.

Durante o verão rola lá o festival internacional de fogos de artifício. Todo os sábados durante oito semanas, equipes representando vários países (esse ano são Japão, Suiça, EUA, Canadá, Itália, Portugal, França e Grécia) fazem uma apresentação de meia hora sincronizada com música. Semana passada nós fomos assistir a da Suíça. Foi bem legal, mas não iria novamente com duas crianças pequenas. Fomos de metrô e a fila estava ridiculamente grande. Graças a deus, as crianças cooperaram, mas não iria novamente. Um amigo nosso foi de carro e levou 1 hora só para sair do estacionamento, isso porque assistiu só metade do show.

A exemplo do Hopi-Hari, também teve um acidente trágico recentemente. Um trabalhador morreu ao entrar em uma zona de acesso restrito de uma das montanhas russas. A investigação está em andamento mas a polícia não descartava suicídio.

Carrinho de batida

Le Splash

Orbite (tipo o Torre Eiffel do Hopi-Hari)

Mille Pattes

La Pitoune (funcionando desde 67)

Marmota passeando pelo parque

Festival de fogos de artifício no La Ronde (equipe da Suíça)

Festival de fogos de artifício no La Ronde (equipe da Suíça)

Muvuca na entrada do Metrô depois dos fogos

Publicado por: BVox | julho 13, 2012

O Conflito Estudantil

Aviso: post longo, muito longo…

Há algum tempo atrás o governo provincial anunciou o aumento da anuidade das universidades aqui em Quebec. Isso disparou uma onda de protestos e greve de estudantes (que se recusavam a assistir as aulas) e que ainda está em andamento. Isso é o que está sendo chamado de “le printemps érable” . A expressão é uma referência à “primavera árabe” (“printemps arabe”) e ao xarope de bordo, “sirop d’érable”, ou “mapple syrup”. Isso último é o xarope (muito doce) feito da seiva da árvore símbolo do Canadá e do qual o Quebec é o maior produtor mundial. Essa expressão portanto sugere uma revolta popular contra uma ação ilegítima do governo (como a primavera árabe). O problema é que isso é uma simplificação absurda do que está acontecendo.

Talvez isso já tenha dado na imprensa aí no Brasil, mas duvido que com a profundidade devida. Para falar a verdade, nem aqui estão fazendo isso direito. Eu ainda não consegui entender bem o que está acontecendo (não sei se alguém pode dizer que sabe), mas vou tentar dar uma ideia do que está por trás dos protestos. Esse exercício de entender o contexto político tem sido bem interessante para mim. Conheço melhor agora a cena política aqui do Quebec e do Canadá.

1) O aumento não é tão absurdo assim

Para começar, até onde sei, fazia parte do plano do governo atual (do partido liberal) na última eleição de aumentar a anuidade. Ou seja, basicamente o governo está cumprindo uma promessa de campanha, que foi (em teoria) aprovada pela maioria da população de Quebec.

Além disso, mesmo depois do aumento (que é alto em proporção), a anuidade ainda é baixa. Um estudante universitário em Quebec paga hoje $1.968,00 por ano para estudar. Isso mesmo. Por ano. Com o aumento, o mesmo estudante pagaria $3.973,00, muito menos do que os $5.535,00 do resto do Canadá. Nem vou citar os valores nos EUA, que tem 5 dígitos. Ah, e o aumento seria gradual, ao longo de 5 anos e famílias mais pobres teriam um aumento na ajuda do governo de forma que ou não seriam impactadas ou sairiam ganhando. Vale lembrar também que em Quebec há um nível entre o colegial e a universidade chamado CEGEP que é gratuito. É basicamente o último ano do colegial e o primeiro da faculdade. Ou seja, o primeiro ano da faculdade é gratuito aqui, portanto se paga um ano a menos…

Os estudantes dizem que a anuidade não é o único custo, que um estudante também gasta com alojamento, alimentação, livros, etc. Isso faz sentido, mas então a discussão deveria estar centrada nos custos totais (talvez um programa de subsídios mais parrudo para cobrir estes custos, principalmente para estudantes que vem de outras cidades para estudar em Montreal ou Quebec city).

2) Universidade não deveria ser prioridade

Os estudantes tem um bom argumento. Eles dizem que independentemente do aumento ser grande ou não, as universidades gastam mal  os recursos que recebem do governo. Pelo que li, realmente hoje as universidades não são obrigadas a prestar conta, o que significa que quase certamente elas são mal administradas. Uma das propostas do governo era criar um conselho para rever o orçamento das universidades mas os estudantes acabaram rejeitando a proposta. Talvez os professores e sindicatos (que estão apoiando os estudantes) não gostaram da idéia. Um professor de CEGEP (sem obrigação de fazer pesquisa) pode ganhar até $50.000 por ano aqui, dando 12 horas de aula por semana…

Mas mesmo que haja espaço no orçamento das universidades para prestar os mesmos serviços sem aumentar a anuidade, acho que o governo deveria ter outras prioridades. Até onde sei, a maioria dos empregos que se prevê que sejam abertos em Quebec são para nível de CEGEP (algo similar a tecnólogo no Brasil) ou abaixo. Portanto acho que gastar em Saúde por exemplo teria maior prioridade para a sociedade como um todo, já que muita gente que se formar não vai achar emprego e ou trabalha com outra coisa ou sai da província. Ou que tal a infra-estrutura da cidade? Quase todas as pontes de Montreal tem problemas, as ruas tem buracos (principalmente depois do inverno) e as chuvas de verão estão expondo problemas com a canalização pluvial da cidade. Vários buracos se abriram no centro da cidade este mês.  Além disso, o governo de Quebec também tem uma dívida alta, portanto não seria uma má ideia ter um superávit por um tempo para pagar parte da dívida.

3) Os métodos

Os estudantes foram infelizes em vários momentos no tocante aos métodos utilizados. Embora agora os líderes renunciem o uso de violência, eles não se posicionaram claramente no começo. Só fizeram isso após o governo se recusar a negociar sem eles se manifestarem claramente contra. Mesmo assim ainda há grupos que usam de violência e de vez em quando alguém faz alguma declaração ambígua. No auge, houveram atentados no metro com bombas de gás e tijolos lançados nos trilhos. Também teve vários casos de quebra-quebra mas esses podem ter sido pelo menos parcialmente instigados pela polícia. Além do mais piquetes tornaram virtualmente impossível para estudantes que queriam assistir aulas.

Isso causou o governo municipal e provincial a criar leis que achei desnecessárias. Elas proibem manifestantes de usar máscaras, obrigam que manifestações com mais de 40 pessoas a divulgar o trajeto com 12 horas de antecedência e não passar perto de universidades ou CEGEP’s (para evitar piquetes). Digo desnecessárias não porque as ache absurdas (medidas semelhantes são adotadas em outras cidades no Canadá), mas porque o momento em que foram criadas foi infeliz e só causou mais revolta. Talvez fosse isso que o governo queria. Elas foram criadas no momento em que os estudantes estavam radicalizando nas manifestações e a população estava apoiando cada vez mais o governo. Talvez o governo esperasse que os estudantes dessem uma vantagem nas urnas grande o suficiente para eles chamarem uma nova eleição sem riscos de perderem (vide próximo item). Mas aí a opinião pública foi para a outra direção (se bem que não muito): os estudantes passaram a fazer manifestações pacíficas, a polícia tomou algumas ações que foram vistas como excessivas (pelo menos num primeiro momento) e muita gente viu as leis como repressivas. A constitucionalidade delas está sendo contestada na suprema corte, já que podem limitar o direito de expressão.

4) O movimento estudantil tem uma forte agenda política

Mesmo no começo o movimento tinha algo mal explicado ao focar no aumento da anuidade e ignorar os custos totais ou o fato de que o aumento era parte do plano de governo. Ultimamente está bem mais claro que o movimento agora é sobre derrubar o governo atual e não mais sobre o aumento da anuidade. Explique-se: o governo atual tem que chamar uma eleição até o final de 2013, mas pode chamá-la a qualquer momento. No começo, o movimento tinha um forte apoio do Parti Quebecois (o partido separatista) e de sindicatos (que até doaram dinheiro às associações estudantis). Depois das radicalizações dos estudantes o PQ adotou uma posição bem PSDB (não apoiam mas também não rejeitam). Como não vejo os estudantes reclamarem dessa falta de clareza, para mim eu acho que o PQ está apoiando os estudantes nos bastidores para que eles criem problemas para o governo mas não quer fazer isso no palanque para não perder votos.

Para completar o quadro, é interessante notar que as universidades anglófonas (McGill e Concordia) estão praticamente fora do movimento. Em situações semelhantes no passado, elas também estavam engajadas. Pode-se argumentar que é uma questão cultural (anglófonos apoiariam um governo menos assistencialista) e que nestas universidades tem muito mais estudantes com visto de estudante (que só tem a perder com a greve já que o visto tem prazo determinado e a anuidade que pagam não está mudando e é muito maior do que a acima). Mas acho que o fato do movimento separatista estar por trás desta greve pesa muito. Anglófonos são federalistas em sua grande maioria.

Aliás, uma coisa que explica porque as universidades anglófonas aqui são as melhores são justamente os estudantes estrangeiros. Eles pagam uma anuidade muito maior do que o valor que o valor somado do que governo e os estudantes pagam às universidades. Universidades francófonas tem dificuldade de atrair estudantes estrangeiros.  O mercado de estudantes anglófonos não está limitado a países anglófonos, mas o francófono está na prática. E quem da França ou Bélgica viria estudar aqui? Como as anglófonas tem mais dinheiro, são melhores (se bem que as francófonas são melhores em alguns cursos).

5) Conflito de gerações

Para mim, mais e mais a imagem que tenho da sociedade quebecois é de um conflito de gerações. A população mais velha vem de uma geração que tem acesso a uma aposentadoria razoável. Agora como a população envelhece cada vez mais rápido, as novas gerações estão vendo os valores diminuírem e a idade limite aumentar e a sua contribuição aumentar (já que tem que pagar para si e para os que já estão aposentados). Enquanto isso, houve uma mudança cultural também. Antigamente os pais ajudavam os filhos a pagar a universidade. Hoje em dia, em nome de promover uma maior independência da nova geração, os filhos tipicamente pagam pelos próprios estudos ou pegam empréstimos.

Ou seja, os mais velhos tem uma atitude que para mim é escandalosamente individualista. O meu filho que se vire que eu vou curtir a vida.

Conclusão

Bom, como disse no começo, é difícil entender o que está por trás desse movimento. Minha opinião é que são várias forças. Deve ter muito estudante achando que o aumento é um absurdo. Deve ter muitos que estão no esquema maria-vai-com-as-outras. Deve ter muitos que estão nessa só para colocar o PQ no poder e daí ter mais um plebiscito pela separação do Quebec. As leis que tem uma imagem repressiva também jogou muita gente para o lado dos estudantes (eu mesmo iria numa manifestação contra estas leis mas não numa que apoiasse a causa dos estudantes, até porque ela não está clara para mim). Também tem muito jovem desiludido com as oportunidades que vê na sociedade e que daria tudo para ter algo que seus pais tiveram.

Independente das razões, o fato é que parece que o governo provincial está fadado a chamar eleições neste setembro e o PQ tem chances de ganhar pela primeira vez em quase 10 anos. Se o PQ ganhar, é praticamente certo que vão chamar um plebiscito para separação do Quebec. Já houveram dois no passado e o último foi por pouco (decidido pelos imigrantes). Acho que os separatistas tem uma chance histórica: Quebec nunca se sentiu tão alienado no Canadá, graças ao governo conservador de Harper. O cara até que não é tão mau assim mas a obsessão em cortes de custos está pegando mal aqui. Aqui todos o odeiam e isso está tão claro que o governo federal está se preparando para lançar ações para mudar sua imagem aqui. Pelo jeito Harper não quer entrar na história como o primeiro ministro que foi a gota d’água para a separação do país. Além disso, a proporção de imigrantes só aumenta e acho que a janela está fechando. Metade das crianças nas escolas de Montreal são de imigrantes. Meu palpite é que esta nova geração será fortemente federalista. Portanto cada dia que passa a situação dos separatistas fica mais difícil.

Publicado por: BVox | junho 27, 2012

Reativando…

Pois é, garanto que pensaram que eu tinha esquecido do blog. Não tinha não. Devo postar vários artigos estes dias para tirar o atraso. Antes disso deixa eu falar da nossa situação atual…

Parece incrível mas já são dois anos aqui em Montreal. Dandan está bem adaptado, estudando desde setembro passado em uma classe regular (não só de imigrantes). Fala bem francês, tem um inglês razoável (não me pergunte como) e faz questão de falar em português conosco. A Dedé ainda não fala nenhuma língua. A torcida é que seja só a confusão de ser exposta a 3 línguas ao mesmo tempo, mas estamos vendo especialistas para ver se é algo mais sério.

Acho essencial manter a raiz brasileira viva através do português. Sinceramente tenho muito orgulho de nossa cultura, principalmente depois de olhar o primeiro mundo de perto. Infelizmente a violência e o caos urbano das metrópoles brasileiras são insuportáveis para nós, principalmente depois de nossa vida em QC. Fomos para o Brasil no final do ano passado e isso ficou bem claro.

Desde o último post acho que as maiores mudanças foram a patroa achar emprego e eu sair do meu. Resolvi dar um tempo para estudar francês em tempo integral (pelo programa do governo de Quebec) e ter tempo para algumas coisinhas pessoais. Como estava trabalhando em inglês, não tinha tempo para estudar francês para valer e ficava com acesso restrito ao mercado de trabalho e à sociedade quebequense (entretenimento, relacionamento, etc). O meu antigo trabalho também estava num pique muito puxado, o que não batia com meu momento de vida. Com algum francês, devo ter acesso a mais e melhores empregos principalmente agora que tenho a tal da experiência canadense e algum networking.

Para quem não sabe, o curso de francês do governo é meio pesado. São 33 horas/semana (quase uma semana de trabalho), quando não tem lição de casa. Para quem fala português as coisas são mais fáceis mas de vez em quando o professor descarrega um monte de coisas aí a cobra fuma para todo mundo. O interessante é que o governo paga uma graninha (aproximadamente CAD 100 / semana e mais a creche das crianças). Não é uma fortuna mas ajuda.

Publicado por: BVox | julho 14, 2011

Canadá Day

O dia da independência do Canadá é 1º de Julho. Se bem que parece que o Canadá day (como é chamado) não é bem um dia da independência. Essa data foi quando as 3 províncias que vieram a formar o Canadá se uniram em um “dominion”, um pedaço “auto-governado” mas parte do império britânico. Ou seja, nada de revoluções e foi mais como um começo de um longo e gradual processo. Para se ter uma idéia, só em 1982 (sim, menos de 20 anos atrás) é que o Canadá ganhou o direito de fazer mudanças em sua constituição sem ser necessário uma aprovação do parlamento britânico do outro lado do atlântico. Acho que essa atitude de “é, isso precisa mudar mas tem coisa mais importante para se preocupar” é bem canadense. Melhor do que a independência de mentirinha que Dom João deu para o Brasil e talvez melhor do que a guerra que os EUA arranjaram com o reino unido…

Bom, mas agora o país é independente e no Canadá, 1º de Julho é dia de festa. Quer dizer no resto do Canadá, porque em Quebec é o dia da mudança (quando 60% dos aluguéis vencem e muita gente muda, incluindo a gente no ano passado). Então se quebecois quiser ter um Canada Day digno do nome, o jeito é sair de Quebec. E nenhum lugar melhor do que Ottawa. O Canadá Day é o dia para se ir em Ottawa, já que é o único dia em que o Canadá dá alguma bola para a capital.

E este ano tínhamos a visita dos futuros herdeiros do trono: principe William e sua novíssima esposa Kate vieram para cá.

Na verdade nem sabíamos disso até pouco antes de irmos e quando chegamos não entendemos porque o povo começou a gritar quando vimos uns cavalos passarem por cima da multidão. Daí nos tocamos: era o casal passando na carruagem. Ou mais precisamente os guardas da cavalaria montada que iam adiante da carruagem.

Não vimos muita coisa, apesar dos telões mas apesar disso e do calorão, foi um passeio legal, com direito a foto com a cavalaria montada, passeio no Rideau Canal e sobrevoos de caças da força aérea e dos snowbirds (a esquadrilha da fumaça) canadense.

Publicado por: BVox | julho 9, 2011

Festival de Jazz 2011

Pois é, verão aqui é época de festivais e shows ao ar livre. Tem o FrancoFolies (música francófona), Osheaga (pop, quase tudo anglófono), Just for Laughs (comédia, o site é engraçadinho),  Montreal Complètment Cirque (festival de espetáculos circenses, afinal aqui é a casa do Cirque du Soleil) e vários outros.

Tem que ser dito que a maioria dos shows são pagos, mas tem coisa de graça o suficiente para ter algo o que fazer todo final de semana.

De todos o que continua me chamando mais a atenção é o Festival de Jazz. Tem muita coisa gratuita e pelo menos uns 3 shows de alto nível. O fechamento deste ano foi B52’s e a abertura foi com um artista que nunca tinha ouvido falar mas para mim é a cara de Montreal. É o Ben l’Oncle Soul (Ben, o tio do Soul). É um francês que canta soul e rhythm & blues bem USA anos 50. Ele e sua banda até se vestem a caráter. Seu repertório é dividido entre inglês e francês. Acho difícil achar um artista que tenha a mesma ambiguidade (ou talvez esquizofrenia) cultural que Montreal tem. O apego ao francês como parte da cultura mas ao mesmo tempo o fascínio pela cultura do vizinho do sul espelha muito a cidade.

Mas intelectualidades a parte, o som do cara é muito bom. A voz tem muito suingue a banda é completa com guitarra, teclado e sopro e a presença de palco é arrasadora. Pesquise no youtube e repare nos dois caras que o acompanham tanto nos vocais quanto na dança. Os caras não param. Como a sogra estava aqui, conseguimos eu e a Patroa escaparmos e assistir. Vide fotos no Flickr ou vídeos do show no you tube postados por almas generosas. Bom o resumo é que finalmente achei um cantor francófono que me animou a ouvir no meu MP3. Gostei das francófonas Soul man e Petit Soeur além do cover de Seven Nation’s Army.

Neste ano deu para aproveitar pouco o festival porque acabou acontecendo entre dois feriadões (patriot’s day e Canada Day) e tínhamos vários passeios programados. Mas no domingo seguinte ao show de abertura fomos com as crianças de dia. Acabamos não aproveitando muito porque a Dedé ficou um tempão se encharcando na área que tem uns jatos d’água para as crianças brincarem.

Publicado por: BVox | julho 5, 2011

Passeios de Bike

Verão passado foi uma correria. A turma chegou em Junho, daí tivemos que correr atrás de seguro saúde, segurança social, mudança para o apê definitivo, escola, creche (garderie), carro, móveis, conta no banco, aulas de francês, etc. O resultado é que aproveitamos muito pouco. Para falar a verdade ainda não estamos aproveitando muito, já que vida de casal com filhos não é fácil. Mas com certeza estamos aproveitando muito mais.

Uma coisa que gosto de fazer (e que estou conseguindo pelo menos uma vez a cada duas semanas) é dar um passeio com as crianças de bicicleta pelas pistas aqui do bairro. Montreal e a Ile des Soeurs em particular é bem propícia para andar de bike. Tem muitas pistas e algumas das mais legais estão aqui do lado. Mesmo dar uma volta aqui por perto é legal, já que tem bastante verde por perto.

Uma quase aventura que fiz foi atravessar a estacade, que é uma construção que parece uma ponte mas na verdade foi feita para quebrar o gelo para facilitar a navegação e preservar as ilhas do canal, principalmente a ilha Notre Dame, que é artificial e foi construída para a exposição mundial de 67. Os navios quebra-gelo (e acho que também o declínio do uso de navios nos grandes lagos) tornaram a estrutura obsoleta mas ela é ideal para bicicletas. Atravessando seus 3 Kms, você chega uma estreita barreira que forma o canal de navegação e que também tem uma pista que dá acesso a um parque em St Catherine para o oeste e para as ilhas de Notre Dame e St Helene (Parc Jean Drapeau, Cassino de Montreal, Circuito Gilles Villeneuve, etc). Eu só atravessei mas na próxima vou dar uma esticada para um dos lados.

A minha companheira nessas aventuras geralmente é a Dedé, que adora atividades físicas e passear. O Dandan é mais caseiro. Como levo a Dedé para passear? Compramos um bike trailer, um carro de duas rodas que fica preso à bike. Daí o papai pode levar a filhinha para todo lado. O Dandan também tem uma trailer bike, que é uma bike sem a roda da frente e que fica preso na bike da mãe.

Mesmo um passeio aqui perto de casa é gostoso. Tem uma pista bem perto de casa e gosto de ir lá em fins de tarde, principalmente depois da chuva. Dá para ver patos (selvagens) nadando no rio, ir jogar pedras na água com a Dedé ou só curtir o ar saturado de pólen do verão. Tem também inseto a dar com pau mas é só manter a boca fechada… Aqui tem pouco pernilongo.

Aqui em terras geladas andam rolando uns comerciais (acho que os mesmos que passam nos EUA) da linha Cadillac vendendo a marca  como diferenciada para competir com importados como BMW, Volvo, Mercedes, etc. A frase no final é “importado de Detroit”, um slogan que acho bem legal, remetendo para a tradição e mística da cidade.

Pois é, não é que outro dia estávamos comendo no Mc Donalds perto do velho porto de Montreal quando me deparei com a placa abaixo? Lendo ela, aprendi que Cadillac é o nome do fundador de Detroit. A placa também diz que o cara nasceu em Montreal, mais precisamente no local onde é o Mc Donalds hoje.

Então acho que dava para dizer que Detroit foi importada de Montreal, né?

Mas aí vem a Wikipedia, a Britannica  e várias outras fontes confiáveis na Internet me dizer que Monsieur Cadillac era francês e Montreal foi só a base para o lançamento da expedição que fundou Detroit.  Pô o Ronald Mc Donalds pisou na bola. Para minha surpresa, aparentemente ser um dos líderes em fast-food não implica em ser bom em história.

Older Posts »

Categorias